Como construir um negócio capaz de atravessar gerações, preservar seus valores e, ao mesmo tempo, se transformar para enfrentar novos contextos?
Essa foi uma das reflexões do encontro promovido pelo IBGC Capítulo Ceará, dentro da iniciativa “Por mais mulheres na Governança”. Daniela Cabral, CEO do Grupo Acal, abriu as portas da empresa para receber associados do IBGC e compartilhar a trajetória de governança do Grupo, os aprendizados acumulados ao longo do caminho e os desafios de preparar a organização para o futuro.
A iniciativa “Por mais mulheres na Governança” busca ampliar o debate sobre a participação feminina em espaços de liderança, decisão e governança e, principalmente, dar visibilidade a mulheres que estão conduzindo transformações relevantes em suas organizações.
Para Lina Salles, coordenadora do Capítulo Ceará e líder da iniciativa, conhecer essas experiências concretas tem papel fundamental na formação e inspiração de outras mulheres líderes. “Precisamos mostrar mais exemplos de mulheres conduzindo empresas, seja integrando diretorias ou conselhos, tomando decisões e construindo processos de transformação. A vida real das empresas ensina muito. Quando conhecemos de perto mulheres que enfrentam desafios complexos, conciliam diferentes interesses e ajudam a preparar empresas para o futuro, ampliamos também a nossa percepção sobre os espaços que mulheres podem ocupar na governança.”
Governança para preparar o futuro
O encontro trouxe para o centro da conversa um dos desafios das empresas familiares: a sucessão.
A pesquisa Governança em Empresas Familiares: Evidências Brasileiras, realizada pelo IBGC em parceria com a PwC, identificou que apenas 27,6% das empresas familiares pesquisadas possuíam plano de sucessão para cargos-chave.
A experiência do Grupo Acal permite observar esse processo acontecendo na prática. A preocupação com a continuidade começou ainda com o fundador e evoluiu para uma estrutura que busca organizar as relações entre família, propriedade e negócio, preparar novas gerações e criar espaços mais estruturados para as decisões empresariais.
Durante o encontro, representantes da terceira geração também compartilharam suas percepções sobre esse processo, permitindo aos participantes compreender que sucessão não acontece em um momento isolado. Sucessão é construída ao longo do tempo. Preparar uma nova geração envolve transmitir valores, desenvolver conhecimento sobre o negócio, compreender os diferentes papéis de familiares, sócios e executivos e criar condições para que os futuros acionistas estejam preparados para exercer suas responsabilidades.
Liderança feminina entre legado e transformação
Nesse processo, a trajetória de Daniela Cabral evidencia também a contribuição da liderança feminina para a evolução das empresas familiares. Assumir a posição de CEO de uma empresa construída pela geração anterior envolve um equilíbrio delicado. É preciso reconhecer e preservar a história e, simultaneamente, conduzir as transformações necessárias para que o negócio permaneça atual e relevante.
Governança tem papel fundamental nesse equilíbrio
Clareza de papéis, espaços apropriados para diálogo, preparação dos sucessores, definição de responsabilidades e abertura para diferentes perspectivas ajudam a reduzir a dependência das relações exclusivamente pessoais e fortalecem a capacidade da organização de tomar decisões pensando no longo prazo. Nesse contexto, liderança também significa criar pontes entre gerações.
Daniela compartilhou com os participantes não uma trajetória idealizada, mas uma construção contínua, marcada por escolhas, aprendizados, ajustes e visão de futuro. A presença de integrantes da terceira geração tornou ainda mais concreto o significado dessa construção.
Exemplos que aproximam a governança da realidade
Conhecer casos reais permite perceber que governança não se resume à criação de estruturas formais ou à adoção de modelos prontos. Governança se materializa na forma como as empresas tomam decisões, administram conflitos, distribuem responsabilidades, preparam suas lideranças e constroem seu futuro.
O encontro com Daniela Cabral e família uniu duas dimensões: de um lado, a importância da governança para transformar sucessão em processo e legado em continuidade. De outro, a força de uma liderança feminina exercida no presente, conectando a história construída pelas gerações anteriores aos desafios das próximas.
Legado não é apenas aquilo que uma geração deixa. É também a forma como prepara a geração seguinte para cuidar, transformar e continuar o que recebeu.